Este artigo foi publicado originalmente no Substack.
Existe uma dúvida muito comum para qualquer pessoa que queira começar a utilizar o Zettelkasten: fazer de forma analógica ou digital? Para quem decide ir para o digital, tem que escolher entre uma infinidade de softwares especialistas ou genéricos, e ainda uma infinidade de plugins que muitos deles fornecem, além das inúmeras opções de configurações e customizações.

Por outro lado, no analógico as coisas se tornam mais enxutas, qualquer “enfeite” ou controle que você desejar fazer será mais trabalho manual a ser realizado.
Voltando para o digital, eu passei por diversas fases. Lá em 2005 eu tinha um pendrive com minhas coisas organizadas numa estrutura de arquivos e diretórios, organizados por categorias e datas. Depois fui para o Evernote, depois o OneNote, depois Excel, Trello, Notion, ClickApp, Obsidian. Posso ter me esquecido de algum, com certeza. Hoje em dia uso o Notion para gerenciar projetos, ToDos e listas. E tenho um zettelkasten analógico para desenvolvimento de conhecimento.
Um dos motivos para eu ter optado pelo analógico é que o digital oferece tantas opções, e é tão fácil testar as coisas, que nunca consegui manter o uso por muito tempo. Logo o meu PKM virava de pernas para o ar. Um dos motivos é a facilidade de copiar/colar, onde baixava muito meus critérios de selecionar e extrair informação. Além da rapidez para adicionar, editar e excluir material.
Juntando o tempo gasto em customização, com a facilidade de adicionar informações e o pouco tempo gasto em desenvolver conhecimento, contribuíram para sempre me fazer desistir de construir um PKM digital estável.
Já fazendo de forma analógica, eu gasto bem menos tempo com customização, sou muito mais criterioso em selecionar e extrair as informações, devido ao fato de que o processo é manual, escrevendo à caneta. Porém, dedico muito mais tempo ao desenvolvimento de conhecimento. Um exemplo disso é que fico muito mais tempo exposto à informação. Por exemplo, quando me deparo com algum trecho interessante num livro, posso primeiramente adicionar no bibcard. Em uma revisão, posso decidir colocar a informação na caixa principal, para isso copio à mão para um cartão, e depois eu determino qual endereço aquela informação se encaixa melhor no meu zettelkasten. Além disso, ainda posso adicionar entradas ao índice para referenciar a nova informação.
Parece (e é) muito trabalho, mas é esse processo que vai possibilitar o desenvolvimento de conhecimento que vale a pena ser compartilhado.
Contudo, ainda existem pessoas que discordam dos benefícios da maneira analógica. Não vejo problema em a pessoa seguir da forma que desejar. Mas, pode ser que você não esteja conseguindo usar o zettelkasten, e pode ser que seja por tentar usar digital. Às vezes estamos o dia todo na frente das telas, e não temos mais disposição para ficar mais algumas horinhas ali dedicadas ao zettelkasten. Ou por ter tantas opções de customização do processo, ou por estarmos a um clique de uma rede social — o que dificulta focar na atividade. Fora a facilidade de selecionar e extrair informação.
Hoje em dia somos bombardeados de muita informação, e por vezes somos pressionados a consumir isso e de forma rápida. Utilizando de forma analógica somos forçados a estudar mais devagar, a pensar mais devagar e com mais profundidade. Temos que ser mais seletivos.
Minha sugestão é começar na forma analógica, e se sentir necessidade, pode migrar para digital, mas agora com mais experiência. Você vai montar o seu próprio fluxo de trabalho, adaptando a sua realidade.